Bea: você é uma vaca, que nunca mais me ligou e ainda me trocou o número!
Jéssica: eu estou bem, amiga, e você?
Bea: -rimos- to bem. mas então, qual é o motivo da ligação? vai vir me visitar?
Jéssica: claro, né?
Bea: caralho, é sério?
Jéssica: óbvio! na verdade, eu vou morar em Santos.
Bea: morar? como assim?
Jéssica: meu pai foi transferido pra Santos e a gente vai se mudar, inclusive eu vou voltar pra nossa escola.
Bea: nossa velho, fiquei feliz agora! -rimos- que saudade.
Jéssica: também to meu anjo. olha, preciso desligar agora, mas me espera que segunda eu to chegando.
Bea: ta bem, melhor.. eu te amo!
Jéssica: também te amo.. melhor!
Desliguei o telefone com um sorriso no rosto. Cara, não acredito que a minha melhor amiga está voltando. Nesse pique todo, eu acho que não consigo mais dormir. Fui no quarto da Mel, perguntar se ela não queria ir no parque comigo, mas cheguei lá e ela tava com o nariz vermelho e o rosto inchado. Acho que ela tava chorando.
Bea: o que houve, minha pequena?
Mel: to com dor, maninha.
Bea: aonde, meu anjo? -eu já estava quase chorando, odeio ver ela mal.
Mel: no corpo e quando eu me mexo também dói.
Toquei na testa dela e estava queimando. Notei que ela andava muito cansada ultimamente e mal comia, mas nunca me liguei. Chamei minha vó e ela veio quase correndo. O nariz da Mel começou a sangrar eu me desesperei, o que tava acontecendo com a minha irmã, meu Deus?
Peguei ela no colo.
Bea: vó, eu vou com ela no hospital, liga pro pai e pede pra ele ir pra lá?
Lurdes: eu tenho que ir com você, minha filha.
Bea: então vamos, vó, rápido! -desci as escadas correndo, com a Mel no colo e a minha vó logo atrás. Fechamos a casa e fomos pra portaria do prédio. pedimos pro porteiro ligar pra um táxi e ele ligou. Uns cinco minutos depois o táxi estava lá na frente, como? Não sei, mas melhor assim. - hospital -eu disse nervosa.
Lurdes: vou ligar pro seu pai.
Bea: ta bem.
Mel: maninha, calma.
Bea: como eu vou me acalmar, pequena? te vendo desse jeito?
Mel: vai ficar tudo bem. -ela me abraçou e eu comecei a chorar, ela limpou minhas lágrimas- não chora, mana.
Apenas assenti e chegamos no hospital. Meia hora depois meu pai chegou, demos entrada e consultamos. O médico mandou que fizéssemos uns exames para poder nos dar o diagnóstico, mas nos disse com bastante incerteza, que podia ser leucemia.
Leucemia? Minha pequena com essa doença tão grave?
Acompanhei-a, pra que ela fizesse um hemograma e saímos do hospital quase de noite. O resultado desse exame de sangue sairia em três dias.
Chegamos em casa e a Mel estava dormindo, pedi pra que o pai deixasse ela na minha cama, ele fez isso, deu um beijo na testa dela e saiu. Eu vesti o meu pijama e deitei do lado dela, que acordou.
Mel: mana? onde eu to?
Bea: quero que você durma comigo hoje, aceita?
Mel: aham. -ela se aconchegou nos meus braços e voltou a fechar os olhinhos.
Nessa hora eu comecei a chorar mas logo depois sussurrei um "eu te amo, pequena" e adormeci.
No outro dia o despertador me acordou e eu olhei pro lado. Ela continuava lá, dormindo que nem um anjinho. Tomei meu banho e me vesti:
Dei um beijo na testa da minha pequena e saí. O café da manhã foi um silêncio horrível, mas depois eu fui pra aula.
Cheguei lá e não vi a Vivi, rs. Sentei no mesmo lugar do primeiro dia e vi o Neymar entrando na sala.
Neymar: oi Bia.
Bea: oi.
Acho que ele notou que eu não estava bem e não disse mais nada, apenas se sentou e logo depois bateu.
Eu nem prestei atenção na aula, até que deu o sinal pro intervalo. Fui direto pra quadra e fiquei lá, sentada em cima do skate, olhando pro chão e pensando na minha irmã, com dor em casa.
Senti o perfume de alguém que estava sentando na minha frente, quando eu levanto os olhos, vejo dois nike preto, era o Neymar.
Neymar: o que houve?
Bea: nada.
Neymar: tudo bem se tu não quiser contar, mas não chora. -é, eu estava chorando.. e ele limpou minhas lágrimas, cara.
Bea: foi mal.
Neymar: não foi nada, mas não quer contar?Bea: são... problemas em casa.
Neymar: graves?
Bea: não sei.
Ele me olhou confuso e eu abaixei a cabeça. Ficamos em silêncio por um tempo.
Neymar: então... você vai no acampamento que comentaram?
Bea: que acampamento?
Neymar: não sabe? notei mesmo que você estava voando. -ri fraco- o acampamento de volta às aulas, nesse fim de semana.
Bea: ah ta... não sei, se os "problemas" se resolverem acho que sim, mas à princípio não.
Neymar: ah...
Percebi que ele queria saber o que era.
Bea: é que a minha irmã... -lágrimas teimosas caíram- tá com uns sintomas aí e o médico comentou que podia ser leucemia.
Ele percebeu que não tinha que dizer nada e só me abraçou.
Não sei porque a gente passou de ódio pra carinho em tão pouco tempo, mas notei que aquilo iria me ajudar muito a superar.
Neymar: vai ficar tudo bem, é só ter fé. -assenti e o sinal tocou- vamos? -ele se levantou e me ajudou a levantar.




