Bom, meu nome é Beatriz, alguns me chamam de Bia e outros de
Bea. Eu curto muito andar de skate e já venci dois campeonatos aqui na cidade e
outros três regionais. Ah, uma coisa que eu quero deixar bem claro, é que mesmo
eu sendo skatista, eu não tenho um jeito menos afeminado de ser, eu visto rosa
sim e quando tenho que me arrumar eu me arrumo sim, não posso parecer um macho,
né? .-.
Eu tenho apenas uma irmã, a Melissa. Ela é bem mais nova que
eu, tem 6 anos. Meus pais são separados e quando a minha mãe foi morar na
Europa, eu não quis ir, e Melissa seguiu meu exemplo, somos muito apegadas.
Moramos então, com o nosso pai Fernando e a mãe dele, a vó Lurdes.
O nosso edifício é panorâmico e eu acho muito estranho você
estar no elevador e enxergar o lado de
fora, kkkk. Maneiro mesmo é em dia de chuva, rs.
Eu estudo à cinco quadras de casa e hoje seria o primeiro
dia de aula no segundo ano do ensino médio. Eu não estava muito empolgada, não.
Longe disso! Mas me levantei cedo, tomei um banho, me arrumei e desci pro café:
(Já existia instagram e bla bla, ok? Ok)
Fernando: bom dia, filhota.
Bea: bom dia grandão. – dei um beijo no rosto dele – e a
Melissa?
Fernando: já está descendo, eu acho. sua vó está arrumando
ela, para escola.
Bea: ah. – saí.
Fernando: não vai comer nada? – gritou.
Bea: não pai, valeu, to com fome não. – fiz o mesmo.
Passei perto da escada e a Mel tava descendo de mãos dadas
com a vó.
Bea: bom dia pequena.
Mel: bom dia mana.
Abracei ela e peguei sua mão, dei um beijo na vó, que nos
alcançou as mochilas, e eu saí com a Mel.
Eu sempre levo ela na escola, que é um pouco mais perto de
casa, depois eu vou de skate pra minha.
Bea: até mais pequena, fica bem ok?
Mel: tchau maninha, você vem me pegar?
Bea: venho sim, mana, mas me espera, ok?
Mel: ok.
Dei um beijo no rosto dela e disse: “Vai lá!” ela me
obedeceu e entrou na escola. Peguei então meu iPod e fui ouvindo música, até a
escola. Cheguei lá e dei de cara com a Gabriella e a turminha dela, eca. Passei
reto mas um dos amiguinhos dela veio me provocar.
Xx: oi Bia. – sínico, af.
Bea: vai a merda, Rafael.
Rafael: nossa, já chegou irritadinha?
Bea: como eu disse, vai a merda. – saí dali e fui pra aula.
Cheguei lá e tinha um menino de cabeça baixa com o capuz do seu
moletom canguru, na cabeça. Sentei perto dele, mas eu acho que ele não estava
pra conversa ou coisa do tipo, pois nem levantou a cabeça. Logo depois de mim,
chegou uma menina... não, porra, é a Vivi. Me levantei e fui em direção a ela.
Bea: oi Vivi. – abracei ela.
Vivi: oi.
Bea: aconteceu alguma coisa?
Vivi: sim.
Bea: o que? – preocupada.
Vivi: tive que levantar da minha deliciosa cama. ):
Bea: ah, sua idiota! – bati no braço dela – eu pensei que
era algo grave.
Vivi: mas é grave poxa! – ela fez cara de triste e rimos
logo depois.
Sentamos perto do menino de novo e eu tentei ser legal.
Bea: oi?
Xx: oi. – super frio.
Bea: nossa. – olhei pra Vivi – tudo bem?
Xx: sim.
Bea: hm, eu também. – Vivi riu. Palhaça! – qual teu nome?
Xx: de que interessa?
Quando ele falou isso eu vi quem era. Era o Neymar, o
namoradinho da
Gabriella. Nossa, que nojo, porque eu fui falar com ele?
Bea: nossa, velho, é você?
Neymar: não garota, o papai Noel.
Bea: grosso!
Neymar: me erra, porra.
Bea: aposto que ela te chifrou, por isso você tá
revoltadinho.
Neymar: te devo alguma satisfação sobre a minha vida?
Bea: graças a Deus, não.
Neymar: então te fecha.
Bea: corno.
Neymar: garota, você tá me irritando. – alterou a voz e se
levantou.
Bea: e o que você vai fazer? Me bater? Covarde do jeito que
é. – fiz o mesmo.
Fiquei cara a cara com ele e porra, que perfume, mano! .-.
Neymar: você merece uma surra, garota. – ele pegou meu
braço, muito forte e me puxou pra mais perto.
Bea: me solta. – esbravejei.
Neymar: não vou soltar.
Bea: mandei me soltar! – dei um puxão, fazendo com que ele
me soltasse.
Neymar: vai... – ele não terminou a frase e o professor
entrou, nem percebi que o sinal já tinha tocado.
Professor: se sentar, senhor Neymar Jr.
Neymar me olhou com muita raiva e se sentou logo depois.
A aula correu bem até a hora do intervalo, depois dele o
Neymar não apareceu na sala e o Rafael e o Thomas chegaram atrasados, fiquei
intrigada, porque vi eles indo com o Neymar pros fundos da escola.
Bea: professor?
Professor: sim?
Bea: esqueci um bagulho no pátio, posso ir pegar?
Professor: não demora.
Assenti e saí da sala. Fui em direção aos fundos da escola e
me deparei com o Neymar caído no chão, acho que eles bateram nele. Eu nem
deveria estar preocupada, mas sei lá o que me deu.
Bea: Neymar?
Ele nem se mecheu. Me ajoelhei perto dele e ele tava com o
nariz, a boca e o supercílio sangrando.
Bea: foram eles?
Neymar: me deixa. – ele disse quase que em um gemido,
colocando a mão na barriga.
Bea: Neymar, eu não vou te deixar aqui, assim.
Neymar: porque se preocupa? Eu to bem.
Bea: dá pra ver que você não tá! Vamos, levanta daí, eu vou
te ajudar.
Ele me olhou incrédulo e levantou.


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